quarta-feira, 21 de março de 2012

Vidas em arribação











Vidas em arribação

A minha alma muito sedo partiu,
Voando nas asas da imaginação,
De esperança docemente sorriu,
Esquecendo as agruras do coração.

Ali, era a nascença do dia,
Na arredia manhã de carnaval,
O vento frio da ilusão arrefecia
A beleza daquele manancial.

Diante de serras acinzentadas pelo tempo,
O reencontro do presente com o passado,
Na visão das migalhas trazidas pelo vento
Todo mal é  lançado no  rio cansado.

No alto do Cabeço da Suçuarana
A chanana ataviava o mais belo altar
E contemplando a beleza de Ana
Senti vontade de seus lábios beijar.

Como ave de vida em arribação,
Arribei para a Serra das Umburanas,
Levando  a tristeza no velho coração
E na  mão um punhado de chananas.

Depositarei no local da morte de Roxinó
Valente como ele só, lutando pelo socialismo
Destemido e forte, tinha a fibra do mororó
A sua consciência tinha o vigor do nacionalismo.



Quando o sangue faz mal ao corpo


Quando o sangue faz mal ao corpo
Prof. Francisco Cândido (Berto)

“Padre José Luís dizia que só existem dois tipos de pessoas capazes de perdoar, o santo e o canalha. O primeiro porque é santo. O segundo por ser destituído de valor ético, moral, interessando para ele o que se pode tirar das situações”. Busco a santidade e não me considero um canalha, mas sei muito bem a importância do perdão para o cristão.

Tenho buscado, incessantemente, resposta para os intermináveis conflitos existentes entre eu e meu irmão, um ano mais velho do que eu.
Descobri quase todas as famílias têm problemas com relação às diferenças entre irmãos, sejam elas de temperamento, físicas, intelectuais ou emocionais.

É comum estes apresentarem tais diferenças, pois, biologicamente falando, também possuem DNA distintos uns dos outros, tendo cada um suas próprias características.

Segundo Jussara de Barros, Graduada em Pedagogia, “quando as idades são mais próximas, as diferenças ficam ainda mais perceptíveis, mas os pais devem lidar com estas, valorizando o que cada um tem de melhor. Se um é mais carinhoso e meigo mostre ao outro o quanto essas qualidades são boas para as convivências sociais, na tentativa de fazê-lo adquirir tais qualidades; se o outro é mais despojado, extrovertido, valorize-o também por isso, dando importância ao seu modo de ser e mostrando ao irmão o quanto se ganha sendo dessa maneira”.

Sem querer acusar ninguém, posso concluir que as pessoas responsáveis por nossa educação ( pai, mãe e a minha cuidadora ) não estavam preparadas para lidar com aquela realidade e faziam constantes afirmações do  tipo, ele ficou no canto, ele é mais inteligente...

Crescemos, dividindo magoas profundas causadas pela inveja, pelo descontrole emocional que nos impede, até hoje, de convivermos harmonicamente por longos períodos.

O exemplo mais concreto é que sou um precandidato a vereador por minha cidade, Currais Novos e ele tão logo tomou conhecimento, buscou a forma mais sórdida para se intrigar comigo e, em seguida iniciar uma campanha de aliciamento de vota para um cidadão detentor de um mandado de vereador. A sua atitude quebra a harmonia da família e dos amigos, resultando em danos dificilmente reparáveis.

Neste primeiro momento, digo que  tenho orado a Deus por ele. Não quero alimentar ódio ou raiva contra o mesmo. No livro de Eclesiastes 3, verso 5, parte B, o rei Salomão, o pedagogo de Deus, afirma que há ...” tempo de abraçar e tempo de afastar.” Espero em Deus, sem magoa, pelo tempo de abraçar.

sábado, 17 de março de 2012

Que desapeou no Pico do Totoró












É só uma vida...
Prof. Francisco Cândido (Berto)

Que desapeou no Pico do Totoró
- a chaminé do tempo... -
E alegre como ela só
Rodopiou no redemoinho do vento.
E cantou em tom menor,
Tomando no cálice bento,
O doce vinho do amor.
Te possui ao relento...

Vida amada...
Vivida, sofrida, ferida...
Um deserto que revida
No duela de vida e morte
Busca a sorte
Ou outro norte
Na direção do mar
A vontade louca de te amar.

Vivendo a vida
Que vem do alto
E ao cair foi ferida
No abismo, o salto
O destino, a partida
A procura pelo mais alto
Sem asfalto,
A vida  dividida .

São vidas  predestinadas
Magoadas...
Flageladas pelo flagelo da dor
Na solidariedade conheci o amor
Vivemos  sonhos roubados das ilusões...
Pesadelos e desolações...
Construídos como que a brincar.
Quero para sempre te amar.

Política? tô fora!...



                                                    POLÍTICA? TÔ FORA!...

                                    Prof. Francisco Cândido (Berto)

Ouve um tempo e não faz muito tempo, que se pregava o distanciamento da juventude da atividade política. O resultado é o caos em que chegamos. Estamos querendo sair do abismo, mas tá dando um trabalho danado!...Só a juventude pode salvar o Brasil. Aliás, foi sempre assim. Lembram-se das diretas já? Do fora Collor?

Atualmente, a juventude é a faixa etária com maior número de brasileiros e precisa estar presente em todas as instâncias de necessidades da vida do povo para enfrentar os desafios sociais existentes e ter condições de criar bases para o desenvolvimento do país. Por isso, é fundamental que os jovens se organizem, participem diretamente da política e pratiquem a democracia participativa.

A quem interessa o distanciamento do jovem da atividade política? BERTHOLD BRECHT, a seguir, nos mostra algumas verdades que precisam ser refletidas por pais, educadores e, em especial, pelo jovem.    

O ANALFABETO POLÍTICO


O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.


(Berthold Brecht)

domingo, 8 de janeiro de 2012

No museu do tempo




















No museu do tempo
Prof. Francisco Cândido (BERTO)


Do tempo da minha juventude          
Ficou a marca cruel da timidez,
Escassez que impedia tomar atitude 
E hoje me revisita mais uma vez.

Vivo uma aurora sem sol nascente
Nesse poente da vida amadurecida,
Perdida entre coisas tão ausentes,
Reencontro a esperança encardida.

Preciso reencontrar velhos amigos
Da infância dos  currais de pedras
Para revivermos, juntos, os perigos
E as sabatinas vividas nas cátedras.

Quero reencontrar  Colombinas,
Passeando ao som de marchinhas
E eu, solitário,  atrás das meninas
Querendo que elas fossem minhas.

Estou fantasiado de pakera
Nos bailes do Aéreo Clube
Ali, parado, eu era uma  fera
Pena que não existia o Yu Tube.

Acordo sozinho no Pé de Serra
E encerro lembranças e sonhos
Plantados no chão  seco da terra
Que aterra sonhos  tristonhos.


sábado, 12 de novembro de 2011

As lembranças do menino
















As lembranças do menino
Prof. Francisco Cândido (Berto), poeta e escritor

Bem no Pé da Serra de minha infância
Na ância por lembranças adormecidas,
Entristecidas pela dor da decadência,            
Na tristeza de vidas tão destemidas.

Abro a janela e destampo a panela da vida
E provo do sabor amargo das lembranças
Na efervescência dessa magoada ferida,
Lido com escassez e a ausência de bonanças.

É noite, o rio leva minha esperança
E a criança chora e ora de medo
Ao ver o arvoredo que ao vento balança,
Dança oculta de meu encantado segredo.

Naquele cenário de lembranças puras               
O reencontro com o Menino do Engenho
E suas travessuras nas noites frias e escuras,
Em um mundo de fantasia e pouco sonho.                 

Descortinei um ambiente de decadência
E vi a tristeza no ciclo da cana de açúcar
Nos sinais da intolerância, a inclemência
A triste desolação de almas a me assustar.

Revisitei bandidos e cangaceiros faceiros,
Heróis de um povo forte, cativo, oprimido...
Na noite escura guiados por tocha de facheiros,
Têm esperanças de um dia ver o chão dividido.



quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ao meu Deus

















Ao meu Deus
Prof. Francisco Cândido (Berto), poeta e escritor

Ajoelhado, oro ao meu Deus!
Nos meus momentos de dor,
Vejo o reino descrito por Mateus
E contemplo a paz de Teu amor.

Perdoa, meu Pai de amor eterno
Os muitos pecados que cometi
Livra-nos do fogo desse inferno,
Pois nunca mais a paz eu senti.

Nesse mundo perverso e adverso
São muitas as armadilhas do mal,
Às vezes sigo o caminho inverso
Aos versos de Teu doce manancial.        

Busco Suas misericórdias, Senhor!
Renovadas na manhã que surge agora,
Na aurora de Sua palavra está o penhor
E esperando, minha’lma ora e chora.

Confio em Ti, Pai de bondade!
Pela Tua caridade espero noite e dia
Na alegria virá à divina luminosidade          
A fraternidade  que não é fantasia.

Senhor, em Ti confio e espero
Tolero a demora, mas é o Teu tempo
A Tua Santa Palavra eu venero,
Resistindo ao severo sopro do vento.